ODONTOLOGIA EM CUIDADOS PALIATIVOS E MAU HÁLITO

Cuidar da saúde oral dos doentes em cuidados paliativos comporta inúmeros desafios, pois são muito comuns numa fase final da vida dificuldades com a higiene oral, infecções, boca seca, tumores, vómitos, problemas com próteses dentárias e com aftas. Infelizmente, muitas vezes a ausência de odontologia nos cuidados paliativos é acompanhada por mau hálito. O problema ultrapassa frequentemente o doente em si próprio, tornando-se uma barreira à interacção social. 

“Por vezes, os doentes que estão no hospital têm muito mau hálito,” afirma Terje Persson, dentista. “Há casos em que o cheiro da boca do doente é tão mau que tanto os familiares, como o pessoal hospitalar, evitam qualquer contacto físico com o doente. O que é uma pena, pois um abraço e um gesto afectuoso são muito importantes quando uma pessoa está doente, com dores, incomodada e preocupada.” 

Há doentes que têm muita vergonha do seu mau hálito, mas há outros que se habituaram tanto a ele que já nem dão por isso. E, devido ao estigma social que continua associado ao mau hálito, não é provável que sejam as outras pessoas a falar-lhes disso. “Acho que, muitas vezes, até o pessoal hospitalar tem receio de dizer aos doentes que têm mau hálito. É considerado uma violação da integridade pessoal da outra pessoa,” acrescenta Perssson.


Prevenção do mau hálito nos cuidados paliativos

Geralmente, o mau hálito tem origem na cavidade oral, sendo causado por bactérias que produzem gases sulfurados ao decomporem os restos de comida que ficam na boca. Nas pessoas saudáveis, a saliva ajuda a eliminar os restos de comida e controla a quantidade de bactérias e fungos da boca. No entanto, é comum os doentes terminais terem a boca seca (xerostomia), o que permite a colonização das bactérias e a formação de mau hálito. Beber frequentemente pequenos golos de água e utilizar substitutos da saliva são formas possíveis de aliviar o mau hálito causado pela boca seca. 

A odontologia em cuidados paliativos é muitas vezes negligenciada, mas cuidar bem da boca é importante para o conforto do doente, para a sua auto-estima, a sua capacidade de comunicar, socializar e saborear alimentos e bebidas. Persson considera que devia ser feita diariamente aos doentes uma limpeza profunda da cavidade oral. Para além de escovar os dentes regularmente e passar com o fio dental, a aplicação de um elixir com flúor, como o CB12, com um cotonete pode ajudar a prevenir o mau hálito nos doentes terminais. O CB12 protege contra as cáries dentárias e, com a sua combinação de acetato de zinco e clorhexidina, liga-se em termos químicos, aos gases sulfurados que provocam o mau hálito. “O CB12 é um bom produto,” afirma Persson. “Utilizo-o nos meus doentes graves. Enxaguam a boca uma vez por dia, de manhã, e o seu hálito mantém-se fresco durante várias horas. Nos doentes com muitos problemas, recomendo um enxaguamento mais frequente com o elixir.”